Como o Cérebro Responde ao Stress Crônico e O Que Podemos Fazer
É importante frizar que somos responsáveis por nossas escolhas e consequentemente nossa qualidade de vida.

Estudos, e a própria realidade já demonstrou, que nosso bem estar não está relacionado diretamente com o ter ou o ambiente, embora estes possam de fato influenciar-nos, mas na maneira que lidamos com os eventos estressores e a criação de uma espécie de "domo" de proteção psíquica. Podemos chamar assim. E nisto está o uso da inteligência emocional.
O cérebro, bem como nossos circuitos neurais, seguem dois comandos: a programação prévia, associada ao que conhece, baseado em memória, e a criação de novas realidades.
Vamos nos ater neste episódio ao primeiro papel do cérebro. O usado pela grande maioria.
Mais de 95% seguem no automático, ou seja, ativam e desativam funções, baseado em memórias. Aqui está o problema! Não muda.
Se "cair no buraco errado", vai fazer de tudo para sobreviver dentro dele.
Por que fomos programados para usar as ferramentas de que dispomos para encontrar e preservar a "zona de conforto". Esse meio "automático" vai sempre trabalhar no sentido de manter-se com o que tem e onde está.
O cair no buraco errado é o que chamo de stress crônico. O programa está "em looping" numa linguagem de programação. Ele não sabe sair do problema por que não sabe o caminho, não foi programado para isto.
Mas dispõe do programa da manutenção quando está sob qualquer ameaça. Ou seja, vai fazer de tudo para adaptar-se ao stress. Eis o perigo. É quando o stress fuca crônico.
Como ocorre o stress crônico, responsável por transtornos mentais?
Segue abaixo:
1. Percepção da Ameaça (Real ou Psicológica)
Região ativada: Amígdala (centro do medo e da vigilância emocional)
A amígdala interpreta situações como ameaça, mesmo que simbólicas (problemas financeiros, conflitos, traumas emocionais).
2. Ativação do Eixo HHA (Hipotálamo-Hipófise-Adrenal)
Hipotálamo envia sinal (via CRH – hormônio liberador de corticotropina) para a:
Hipófise, que libera ACTH (hormônio adrenocorticotrópico) para:
Glândulas suprarrenais, que liberam cortisol e adrenalina.
3. Ação do Cortisol no Cérebro
Inicialmente, o cortisol ajuda na resposta adaptativa (fuga, luta ou congelamento).
No estresse crônico, o excesso de cortisol gera:
a) Atrofia o hipocampo (memória e controle emocional).
b) Hiperativa a amígdala (fica mais sensível e reativa).
c) Reduz o funcionamento do córtex pré-frontal (perde capacidade de decisão, autocontrole, clareza mental).
4. Circuito Vicioso se Forma
A amígdala hiperativa mantém o hipotálamo constantemente em alera.
A redução do controle do córtex pré-frontal gera mais pensamentos negativos, ruminação e ansiedade.
O hipocampo encolhido dificulta aprender, se acalmar e lembrar que aquela situação pode não ser uma ameaça real.
Imagina uma pessoa sob a suposta ameaça de assalto. O gatilho ocorre quando ela bota o pé do lado de fora do portão. Ela vê uma moto aproximando-se com dois caras de boné. A amígdala está hipersensível. Ela sente o coração bater forte, começa suar, calafrios, o medo é exacerbado, respiração ofegante, lembranças desconexas do último evento, pois o hipocampo está desestabilizado, pensamentos negativos surgem "do nada", pois o pré-frontal não raciocina. Ela pode urinar, defecar, desmaiar ou desmaiar. Um ataque de pânico.
Caminho neural simplificado do stress crônico:
Estímulo Ameaçador]
↓
[Amígdala] (Dispara alarme)
↓
[Hipotálamo] (Libera CRH)
↓
[Hipófise] (Libera ACTH)
↓
[Adrenais] (libera Cortisol + Adrenalina)
↓
Efeito no Cérebro:
- Amígdala ↑ (hiperativa)
- Hipocampo ↓ (atrofia)
- Córtex Pré-Frontal ↓ (desligado)
As regiões envolvidas e suas funções:
Amígdala
Córtex Pré-frontal
Hipotálamo
O hipotálamo regula funções vitais como temperatura corporal, fome e sede, e controla a hipófise, que por sua vez, age como a "glândula mestra" do sistema endócrino.
Hipófise
É uma glândula que influencia a resposta do corpo a estímulos emocionais, ais eventos estressores ao receber sinais do hipotálamo.
Ela então libera hormônios que afetam outras glândulas endócrinas e regulam diversas funções corporais, incluindo as respostas do corpo ao estresse e às emoções.
Relação entre hipófise, emoções e sistema endócrino:
- Hipotálamo e emoções:O hipotálamo, localizado no cérebro, é responsável por coordenar as respostas emocionais e enviar sinais para a hipófise. Hipófise e sistema endócrino:
- A hipófise, situada na base do cérebro, atua como uma glândula mestre, controlando a função de outras glândulas endócrinas. Cascata hormonal:
- O hipotálamo, em resposta a estímulos emocionais, libera hormônios que podem estimular ou inibir a produção de hormônios pela hipófise. Resposta do corpo:
- A hipófise, por sua vez, libera hormônios que afetam outras glândulas endócrinas, como a tireoide, as adrenais e as gônadas, desencadeando respostas físicas e psicológicas.
- O eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) é um sistema de comunicação importante na resposta ao estresse, no qual o hipotálamo e a hipófise desempenham papéis centrais. Exemplos de como as emoções podem afetar o sistema endócrino:
- Estresse:O estresse emocional pode ativar o eixo HPA, levando à liberação de cortisol pelas glândulas adrenais, o que pode afetar o humor, o sono e o metabolismo.
- Sentimentos de felicidade: A liberação de hormônios como a ocitocina, associada ao bem-estar e ao vínculo social, pode ser influenciada por emoções positivas, impactando o sistema endócrino e promovendo uma sensação de calma e felicidade.
- Em resumo, as emoções, processadas pelo hipotálamo, desencadeiam respostas hormonais através da hipófise, que, por sua vez, regula o sistema endócrino e influencia diversas funções corporais, incluindo respostas ao estresse e emoções.
O hipocampo, por sua vez, é crucial para a formação de memórias e aprendizado.
A Importância do Hipocampo
O hipocampo desenvolve o papel de aprendizado, formação de memórias, sobretudo as declarativas, relacionadas a fatos e eventos, e a navegação espacial.
Ele atua como uma espécie de "portal" que transfere informações da memória de curto prazo para a memória de longo prazo, permitindo que as lembranças se tornem mais duradouras.
A amígdala atua muito emocional, enquanto que o hipocampo é mais racional.
O hipocampo desempenha um papel crucial na resposta ao estresse, atuando como um modulador no sistema de resposta em situações de ameaça real ou suposta.
Sua função em situações de stress é tão importante por que ele possui grande densidade de receptores para GCs (glicocorticóides) que, quando ativados, inibem a atividade do eixo HPA, limitando a resposta ao estresse.
Infelizmente ele pode se tornar um alvo para os efeitos deletérios do estresse, como vimos, pelo excesso de cortisol e adrenalina, inibindo sua ação.
Ele está envolvido no processamento de informações sobre eventos ameaçadores e ajuda a regular a resposta ao estresse, incluindo a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA).
Funções detalhadas:
Formação e consolidação de memórias: O hipocampo é fundamental para a criação de novas memórias, tanto de curto quanto de longo prazo.
Memória episódica: Está envolvido na lembrança de eventos específicos, como experiências pessoais e acontecimentos.
Memória declarativa: Ajuda a lembrar de fatos, conceitos e informações.
Navegação espacial: Contribui para a orientação e o reconhecimento de lugares, formando mapas mentais do ambiente.
Outras funções:
Processamento emocional: O hipocampo tem conexões com o sistema límbico, o que o torna relevante para a conexão de emoções a memórias.
Tomada de decisão: Estudos recentes sugerem que o hipocampo pode estar envolvido em processos de tomada de decisão, especialmente em situações de incerteza. Importância em condições neurológicas:
Doença de Alzheimer: O hipocampo é frequentemente afetado em pacientes com Alzheimer, levando à perda de memória e declínio cognitivo.
Epilepsia: Lesões no hipocampo podem causar crises epilépticas.
Depressão: Estudos indicam que a depressão pode afetar o hipocampo,levando à diminuição do volume e da função. Em resumo, o hipocampo é uma estrutura cerebral essencial para a memória, o aprendizado e a navegação. Seu papel na consolidação de memórias e na conexão com emoções o torna crucial para nossa experiência individual e para a compreensão do mundo ao nosso redor.
O que fazer sob stress?
A primeira coisa a fazer é sair do ambiente estressor, sair do cenário. Segundo, manter o controle da respiração. Ensinei em meu canal no YouTube como tespirar sob stress, ansiedade ou pânico.
Terceiro. Mudar o foco mental. Pensar em algo completamente diferente. Algo bom.
Como trabalhar o stress crônico de forma natural?
1. Prática de exercícios respiratórios.
2. Caminhar e exercitar-se.
3. Uso de plantas medicinais com efeitos ansiolíticos, antidepressivos, adaptógena, anti-inflamatória, conforme o transtorno.
4. Meditar, expandir a consciência superior.
5. Mudar rotina.
6. Reprogramação mental e emocional.
Embora abordamos este tema sob a ótica da neurociência, a palavra consciência aqui foi citada não como o conceito da neurociência, mas numa visão extra física, Budhi, na visão hindu.
Douglas Ghimell
Terapeuta e Coach Holístico
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